Os carros passavam ao longe, cortavam a ponte como formiguinhas. Quem serão aquelas pessoas? Como estarão vestidas e o que estariam pensando?
O avião rasgou o céu. Da onde viera? Quais lembranças trouxe e quais deixou? Tristeza, alívio.
E eu aqui, gigante a observá-los, tão pequena aos seus olhos - sem ao menos existir.
Eles não param de passar. Tantos sonhos e corações passam por ali e daqui nenhum sonho, nenhum coração.
Quem serão eles? Gostaria de saber para onde vão, como serão os seus dias, quais os planos que possuem. Gostaria de saber se são como eu, se sentem o que eu sinto, temem o que temo.
O professor fala ao fundo e eu não posso ouvi-lo. Cheguei a me esforçar algumas vezes, mas os sons daquela voz me chegam como um eco e eu não posso distingui-los. Eles não podem entrar.
Aqui, por outro lado, estão todos a gritar. Sei que não podem parar e os sons de suas vozes são tudo o que posso ouvir.
Para onde será que foram? Eu estou aqui e continuarei aqui a observá-los. Estou a me esperar.
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